Saturday, June 04, 2005

Aula. Me pediram para escrever sobre Brasília. Tomem.

Brasília é um saco. Assim também é escrever sobre Brasília...


Um camarada desceu de asa-delta no meio da pista e correu para o canto para não atrapalhar os carros, já que não havia caído em cima de algum. Outro, numa carroça com um cavalo de força, ultrapassou - no sinal vermelho e tangendo a contramão - uns três trouxas de dois carros diferentes.

Um dia choveu ali. E aqui só se via os carros molhados da chuva de lá. À noite as velhinhas foram beliscar comida à mesa de frios do bingo. Todos os domingos com “d� de “tédio� as sungas tomam de conta do asfalto com a libertária ilusão de estar na praia. Em julho não fica ninguém pra contar e história e todo ano é a mesma coisa enfado-medonha.

Puxando as rédeas... talvez Brasília não seja um saco... e as consoantes frias desse recanto verborrágico flácido se revolucionem e explodam em mil respostas. Brasília é um caso só; um vaso vazio; um laço lascivo com o tédio; um fato fictício de lembranças que um chato de saco cheio não contou para ninguém; um caos de quietude; um vão onde ninguém vai ser são.

O maior problema de Brasília é essa maresia carioca que todo brasiliense de nariz empinado traga num suspiro tosco (a tal sede de identidade que pressupõe uma realidade e propõe uma ilusão).

Eu sou um “pé no saco�.

Dário Castro

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