Saturday, June 04, 2005

Monólogo para teatro. Recitei em sala de aula com uma mácara de diabo na cabeça após ler o texto "As festas do amanhã"



O MAL COMPREENDIDO


Satanás, Cão, Diabo, Coisa-ruim... Lúcifer... me chamem como bem entenderem, ou mal entenderem...
EU SOU O S�MBOLO DO HORROR HUMANO!
“Façam o bem� - é o que dizem – ou acabarão por me encontrar!
Eu sou o mal, o mal compreendido! E moro num ambiente cavernoso, nebuloso...
Cheio de precipícios assustadores!
Eu sou a enfermidade, a morte de um parente seu
O acidente que você sofreu ... e ainda não se recuperou!
Hehehheheehehehe... Eu fico rindo da sua fatalidade
Ou daquele que ainda pouco morreu atropelado e você nem conheceu,
Eu sou a maldade! Eu sou o que você não entende, e Deus... Ahhhhh,
DEUS É O QUE VOCÊ NÃO EXPLICA! Você não vê?
Eu sou o mal, o mal compreendido! E moro num ambiente cavernoso, nebuloso...
Cheio de precipícios assustadores!
É por isso que ninguém me vê! Daqui eu ordeno as desgraças humanas!
Ah! Eu me pergunto somente porque diabos não falam meu nome quando morre um sapo,
Ele não é digno da minha perversidade, nem da piedade de DEUS!
Ah! Você não é um sapo? E isso explica o que diabos?
Que você não vive num brejo, é só isso!
Eu sou o mal, o mal compreendido! E moro num ambiente cavernoso, nebuloso...
Cheio de precipícios assustadores!
VOCÊ VAI MORRER! Morra de medo ou se conforme! Essa é a lei!
Mas não... você se ajoelha e suplica um lar no céu, quer ficar bem longe de mim após a morte
Já que me enxerga em todos os lugares durante sua vida e aterrorizo seu sossego...
VOCÊ VAI MORRER! E como não é um sapo tem um outro mundo maravilhoso lhe esperando!
Hehehehehehe... (imbecil)
Eu sou o mal, o mal compreendido! E moro num ambiente cavernoso, nebuloso...
Cheio de precipícios assustadores!
O paraíso é aqui onde você está!
Olhe para você mesmo, procure a alegria aqui... nesse mundo enfastiado de mim:
“O MAL ABSOLUTO�
Ah! Tudo bem, tudo bem... faça o que quiser! A vida e a morte, afinal, são suas!
AS CONVICÇÕES TAMBÉM!
Eu sei, eu sei! Sou tão detestável que posso sentir a aversão saltar de seus olhos!
Sou agressivo? Não...
A agressividade que vocês enxergam em mim é reflexo da medida exata dos seus limites morais...
Eu sou o mal, o mal compreendido! E moro num ambiente cavernoso, nebuloso...
Cheio de precipícios assustadores!
Eu sou tão detestável que vocês viram os rostos quando dão de cara comigo...
CORRAM! Tapem os olhos das crianças, batam na boca delas cada vez que de lá sair meu nome!
O que vocês não percebem é que não adianta virar o rosto... ou bater em mil bocas
Por que eu não estou aqui diante dos seus olhos...
Eu sou o mal, o mal compreendido! E moro num ambiente cavernoso, nebuloso...
Cheio de precipícios assustadores!
Eu moro e existo na sua cabeça, mas você vê minha imagem em todo lugar detestável...
E me coloca na mente das crianças, COM ISSO EU NÃO ME CONFORMO!
Pouco me importa você, um auto-desprezador! Mas não me aborreça, nem pense em me tirar do sério Aterrorizando a inocência das crianças com a banalidade da sua fraqueza e falta de postura racional...
Eu sou o mal, o mal compreendido! E moro num ambiente cavernoso, nebuloso...
Cheio de precipícios assustadores!
Eu sou sua incapacidade de olhar para si mesmo!


Dário Castro

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