Friday, June 10, 2005

Poema de rima rápida


Num Formigueiro


Num formigueiro certo dia
Se discutia
A grandeza das formigas


Velhas folhas eram lidas
E erguidas
As folhas mais antigas


O formigueiro se exaltava
Quando se falava
Da velha profecia:


“Nós, formigas, destinadas
Por mãos sagradas
Fomos um belo dia...�


E de repente um espanto
Lá do canto
Uma delas falou:


“Não acredito nessa fábula
Que um rábula
Um dia me contou


Que somos donas do mundo
Pois no fundo
Sou bem curiosa


Essa resposta tão grosseira
Não é verdadeira
Tão pouco é honrosa!


Para quê acreditar
Que há
Uma predestinação


Que somos superiores
Os tais senhores
Da razão?


Eu antes prefiro crer
Que vou morrer
Que é só isso


E aproveitar a vida
Bem resolvida
É o meu compromisso�


O formigueiro se calou
Não acreditou
Em tamanho abuso


De uma formiga insolente
Uma descrente
De falar confuso


Então, despidas de piedade
Com perversidade
A condenaram


A ficar sempre calada
No canto isolada
E a ignoraram...


O tempo passou
Ninguém mais falou
Desse acontecido


E a condenada
A tempos ignorada
Já havia morrido


Aquela que contestava
O que se acreditava
Tinha o mesmo fim


Às que queria ajudar
Proibiam-lhe de falar
E sempre foi assim


Mas no canto
No entanto
Algumas sempre havia


Estas pagavam
Porque negavam
Aceitar a profecia


E as outras com medo
Ou desde cedo
Alienadas


Nunca se manifestavam
Sempre ficavam
Completamente caladas


E assim continuou
O tempo passou
E o formigueiro


Celebrava sua grandeza
A natureza
Do ser primeiro


Até que um dia
Por sarcástica ironia
Um fogaréu


Causou-lhe um fim eterno
Nenhuma foi para o inferno
E nenhuma foi para o céu





Dário Castro


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